A prática sobre restauração ecológica

Os participantes do minicurso DIRETRIZES E EXPERIÊNCIAS SOBRE A TEORIA E A PRÁTICA DA RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA tiveram acesso a uma listagem de nove princípios/indicadores, que orientam o trabalho de execução e avaliação de um projeto de restauração ecológica. De acordo com o Prof. Dr. Francisco Comin do Instituto Pirenaico de Ecologia, da Espanha, os projetos de restauração ecológica "precisam ter indicadores que garantam a validade científica do processo", afirma.

Estes princípios já foram utilizados em vários projetos internacionais de recuperação em áreas degradas, como por exemplo, em minas de bauxita desativadas na Austrália. Estes princípos foram organizados por um grupo de cientistas e pesquisadores ligados a Sociedade Internacional de Restauração Ecológica - SER International.
É importante esclarecer, que após a escolha da área a ser restaurada, os profissionais envolvidos definam previamente também uma área preservada que será usada como referência pelos restauradores.
 
Confira a lista dos indicadores:
 
1. É necessário que o ecossistema restaurado tenha um conjunto característico de espécies que ocorram no ecossistema de referência e que forneçam estrutura adequada da comunidade.

2. O ecossistema restaurado precisa ser composto pelo maior número possível de espécies nativas.

3. Todos os grupos funcionais necessários para o desenvolvimento continuado e/ou estabilidade do ecossistema restaurado devem estar representados ou, se não forem, os grupos ausentes têm o potencial de colonizar por meios naturais.

4- O ambiente físico do ecossistema restaurado é capaz de sustentar populações de reprodução das espécies necessárias para a sua estabilidade ou desenvolvimento continuado ao longo da trajetória desejada.
 
5- O ecossistema restaurado aparentemente precisa funcionar normalmente para a sua fase ecológica de desenvolvimento. É importante confirmar que não existam sinais de disfunção.

6- O ecossistema restaurado deve estar devidamente integrado a uma grande matriz ecológica com a qual interage através de fluxos abióticos e bióticos e trocas.

7. Assegurar que as ameaças potenciais à saúde e à integridade do ecossistema restaurado a partir da matriz ecológica de entorno foram eliminados ou reduzidos tanto quanto possível.

8. O ecossistema restaurado é suficientemente resistente para suportar o stress normal de eventos periódicos no ambiente local, que servem para manter a integridade do ecossistema.

9. O ecossistema restaurado precisa ser autosustentável com a mesma intensidade de seu ecossistema de referência, e deve ter potencial de persistir indefinidamente sob condições ambientais existentes. No entanto, os aspectos da sua biodiversidade, estrutura e funcionamento podem ser alteradas como parte do desenvolvimento normal dos ecossistemas, e pode variar em resposta ao stress normal periódico e em evento de perturbações ocasionais de maior conseqüência. Como em qualquer ecossistema intacto, a composição de espécies e outros atributos de um ecossistema restaurado pode evoluir como mudança das condições ambientais.